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Roncar pode te causar um infarto

  • Foto do escritor: Géssica Magalhães
    Géssica Magalhães
  • 12 de out. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 4 de out. de 2025

O ronco é frequentemente encarado como um incômodo trivial, mas seus impactos na saúde vão além de noites mal dormidas para quem está ao lado. Esse fenômeno é um sinal de que algo pode não estar funcionando corretamente no organismo, especialmente no sistema respiratório.




Quando associado a problemas mais graves, como a apneia obstrutiva do sono, o ronco pode afetar diretamente a saúde do coração. Neste artigo, vamos explorar as razões pelas quais o ronco é prejudicial para o sistema cardiovascular e como lidar com isso.


  • O que é o ronco e por que ele acontece?

O ronco é causado pela vibração dos tecidos das vias aéreas durante a respiração, quando há algum grau de obstrução que dificulta a passagem do ar. Ele pode ser resultado de fatores como anatomia desfavorável da garganta, ganho de peso, consumo de álcool, ou até mesmo uma má posição ao dormir.


O problema se agrava quando há episódios de apneia obstrutiva do sono (AOS), uma condição em que as vias aéreas são bloqueadas total ou parcialmente, interrompendo a respiração repetidamente durante a noite.


  • Ronco e apneia: o impacto direto no coração

A apneia obstrutiva do sono é uma condição intimamente ligada ao ronco severo e tem implicações graves para o coração. Durante os episódios de apneia, os níveis de oxigênio no sangue caem drasticamente, e o corpo entra em um estado de alerta constante, liberando hormônios do estresse como a adrenalina e o cortisol. Esses hormônios aumentam a pressão arterial e sobrecarregam o sistema cardiovascular.


Com o tempo, o estresse crônico e a privação de oxigênio podem levar ao desenvolvimento de hipertensão, um dos maiores fatores de risco para doenças cardíacas. Estudos indicam que indivíduos com apneia do sono não tratada têm um risco maior de desenvolver insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).


  • Hipertensão e arritmias como consequência

O ronco associado à apneia pode agravar a hipertensão e aumentar as chances de desenvolver arritmias, especialmente fibrilação atrial, que é caracterizada por um ritmo cardíaco irregular. Cada vez que a respiração é interrompida, o coração precisa trabalhar mais para compensar a falta de oxigênio, o que pode resultar em um aumento crônico da pressão arterial e em danos às paredes arteriais.


Além disso, a combinação de hipertensão e apneia aumenta significativamente o risco de doença coronariana, tornando o coração mais suscetível a eventos cardíacos fatais. Estima-se que indivíduos com apneia não tratada tenham um risco até duas vezes maior de sofrer infarto do que aqueles sem essa condição.


  • Efeitos no metabolismo e controle do peso

A apneia e o ronco estão associados a dificuldades no controle de peso. Quando o sono é fragmentado, há um aumento nos níveis de grelina e uma queda na leptina, dois hormônios que regulam o apetite. Isso leva ao aumento da fome e ao desejo por alimentos calóricos, contribuindo para o ganho de peso e agravando ainda mais os problemas respiratórios e cardiovasculares.


Além disso, a resistência à insulina pode se desenvolver, aumentando o risco de diabetes tipo 2, que, por sua vez, é um fator de risco significativo para doenças cardiovasculares.


  • Tratamento do ronco e impacto positivo na saúde do coração

O diagnóstico e o tratamento precoces do ronco e da apneia obstrutiva do sono são fundamentais para prevenir complicações cardiovasculares. O uso de dispositivos de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), por exemplo, tem se mostrado eficaz em reduzir a pressão arterial e melhorar a função cardíaca.


Outras opções incluem mudanças no estilo de vida, como perda de peso, evitar álcool antes de dormir e adotar posições adequadas ao dormir.


Em alguns casos, tratamentos cirúrgicos podem ser recomendados para corrigir obstruções anatômicas nas vias aéreas. Além disso, monitorar e controlar a pressão arterial é essencial para quem sofre de apneia, garantindo que os impactos no coração sejam minimizados.


  • Conclusão: cuidando do sono, protegendo o coração

O ronco pode ser muito mais do que um incômodo noturno; ele pode ser um sinal de que o coração está em perigo. A associação entre apneia do sono e doenças cardiovasculares é clara, e ignorar esses sintomas pode resultar em sérios problemas de saúde a longo prazo.


Identificar e tratar essas condições não apenas melhora a qualidade do sono, mas também protege o coração e aumenta a expectativa de vida.


Investir na saúde do sono é investir na saúde cardiovascular. Monitorar sinais como o ronco e buscar orientação médica quando necessário é o primeiro passo para evitar complicações e garantir um coração forte e saudável.

2 comentários


Rachel Rodrigues
Rachel Rodrigues
13 de out. de 2024

Muito interessante doutora! Parabéns!

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Van Fly
Van Fly
12 de out. de 2024

Material muito interessante, não imaginava que o ronco poderia ser tão nocivo. Obrigada pela ótima e objetiva abordagem 🙏

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© 2019 por Dra Géssica Magalhães. 

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